Article

A importância de melhorar, padronizar e formar com empatia
É preciso paciência. Muita paciência. E é preciso coração. Nem todos os pizzaiolos são rápidos a aprender, alguns resistem, outros estão simplesmente exaustos. O meu papel é contagiar com paixão, mostrar que este mundo é bonito e que vale a pena. Só assim a informação entra, só assim a equipa cresce.
September 24, 2025

Fazer demais nem sempre é necessário.
Muitas vezes o que faz a diferença é melhorar o que já existe e tornar o processo replicável e consistente. É isso que aprendi ao longo das minhas consultorias: não preciso inventar algo completamente novo em cada pizzeria, mas sim elevar a qualidade, criar método e garantir que qualquer pessoa consiga repetir.

Quando comecei a dar formações, acreditava que o meu papel era levar um produto topo de gama, aquela pizza perfeita que impressiona. Mas a verdade que encontrei, visitando tantas pizzerias, foi outra. A necessidade mais profunda dos empreendedores não é ter “a pizza mais cara do mundo”, é ter um produto melhor do que o que já têm, que resolva problemas reais: clientes insatisfeitos, críticas negativas, falta de consistência.

Sinceramente ? Tenho habilidade para fazer uma pizza de nível máximo em provavelmente (quase) qualquer lugar. Tenho conhecimento para escolher fermentação, tipo de farinha, adaptar ao forno e ao pizzaiolo. Mas será que isso faz sentido para quem tem de preparar trezentas pizzas por dia? Não adianta criar um empasto super complexo se vai tornar o trabalho mais lento e difícil. Cada equipa, cada forno, cada pizzaiolo tem o seu ritmo, as suas mãos, a sua realidade. O meu trabalho é ajustar o produto a todos esses fatores, para que funcione no dia a dia.

E ser consultor não é só saber de farinha e fermentação. Isso é o ponto de partida, sem dúvida, mas não basta. Um verdadeiro consultor tem de ser pizzaiolo antes de tudo, para sentir na pele o cansaço e a pressão de quem está no serviço. Tem de saber o peso das horas, dos repartidos, o valor de uma pausa. A correria dos últimos minutos antes de abrir.

Na maior parte das pizzerias onde entro – seja em Lisboa, no Algarve ou no Porto – a cozinha é um campo de batalha. Há encomendas a chegar, clientes à espera, preparação para fazer. Muitas vezes a formação acontece em pleno serviço. Não existe “a hora perfeita” para ensinar. Por isso o formador tem de ser ágil, estratégico, capaz de adaptar a explicação ao momento, de ler o ambiente e as pessoas.

É preciso paciência. Muita paciência. E é preciso coração. Nem todos os pizzaiolos são rápidos a aprender, alguns resistem, outros estão simplesmente exaustos. O meu papel é contagiar com paixão, mostrar que este mundo é bonito e que vale a pena. Só assim a informação entra, só assim a equipa cresce.

No fim, a minha filosofia é simples: não vendo a minha bravura, trago constância para o negócio deles. Trago um produto melhor, que qualquer membro da equipa consiga reproduzir, todos os dias, com a mesma qualidade. Esse é o verdadeiro valor de uma consultoria bem feita.